Henrique IV parte 3
Henrique IV parte 3
Fotografia de Susana Neves
Um tradutor, Henrique, como um príncipe precário. Quer mudar Shakespeare para a língua portuguesa, mas tem de passar os dias a fazer traduções técnicas de empilhadoras e autoclismos para ganhar a vida. É preciso pagar o crédito da casa, do carro, a eletricidade, a água, o gás, a internet, vários seguros, impostos, o telemóvel, etc. Iolanda, a mulher, trabalha como educadora de infância. Sonha ter filhos, mas só quando conseguirem “alguma estabilidade”. No dia de São Nunca À Tarde, talvez. E há ainda Miriam, a mulher-a-dias, passeando o seu desprezo tão sedutor pela sala de estar. Henrique vive a vida aos poucos, deixando-se ir – até que conhece Falstaff. Exato, o próprio. O grande gordo genial de Shakespeare. Uma visão real. Mais real que irritações quotidianas, frustrações empilhadas, mais sólida que este triste tempo, feito de tempos mortos. Uma visão realíssima sentada no banco da cozinha a enfardar bolachas de manteiga escocesas: Falstaff! E a partir daí, bum, a vida vem toda de uma vez.
FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Texto
Jacinto Lucas Pires
Encenação
Jacinto Lucas Pires
Interpretação
Anabela Faustino, Ivo Alexandre, Luís Araújo e Paula Diogo
Cenografia e Figurinos
Sara Amado
Desenho de Luz
Nuno Meira (em colaboração com Filipe Pinheiro)
Direção de produção
Ivo Alexandre
Produção executiva
Anabela Faustino
Co-Produção
Ninguém
Teatro Nacional São João
Estreia a 9 de novembro de 2016 — Teatro Carlos Alberto – Porto