O triciclo
O triciclo
Fotografia de Paulo MilHomens
A peça O TRICICLO (1952-53) é comumente associada à renovação pós-guerra do teatro moderno espanhol, vindo a consagrar-se como uma obra fundamental para a negociação de um novo entendimento estético dos modos teatrais, com influências do movimento Postista - estética vanguardista que privilegia a supremacia da imaginação, a exploração das possibilidades da linguagem e o carácter humorístico, lúdico e dionisíaco do objeto artístico.
Nesta obra fica claramente patente o inconformismo e crítica de Arrabal relativamente à organização e modelos da sociedade da época, i.e., estamos perante uma peça representativa do exilo interno dos derrotados da Guerra Civil espanhola. Nela percebemos a renúncia total ao sistema fascista de Franco.
São vários os paralelismos entre o TRICICLO de Arrabal e a sociedade contemporânea, entre os quais a falta de liberdade de individual que nos conduz à uniformização do pensamento ditado pelo sistema económico e por mecanismos políticos ou religiosos difusos. Também nos consciencializa para o perigo deste pensamento sectorial que marginaliza e penaliza a diversidade. O regresso a esta obra constitui um gesto artístico e político que convoca a crítica, a liberdade e a emancipação.
De forma alegórica, o autor estabelece uma oposição entre duas realidades, sendo esta um dos motores do jogo teatral e à volta da qual se desenvolvem as personagens. É-nos apresentada a oposição entre uma sociedade política, social e moralmente opressora e um grupo de marginais que tentam sobreviver e navegar nessa sociedade cujas regras desconhecem.
Na construção desta obra, Arrabal utiliza vários mecanismos, artifícios e jogos teatrais, nomeadamente os discursos irracionais, o humor que advém desses discursos, a tragicidade das personagens e a utilização de dicotomias que as personagens apresentam. O autor constrói diálogos com uma estrutura codificada, como um jogo ritual, estabelecendo um novo modo de comunicação. A estes jogos codificados alia-se a confusão dos raciocínios. A conjugação da Memória (o conhecido) com o Acaso (o Aleatório) resultará numa novidade híbrida, no non sense. O ser humano é um ser híbrido, que vagueia entre binómios Bem/Mal, Vida/Morte ou Inocência/Crueldade. As personagens vagueiam entre estados de inocência e de extrema crueldade, sem que isso seja um ato deliberado.
FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Texto
Fernando Arrabal
Tradução
Ivo Alexandre
Encenação
Ivo Alexandre
Interpretação
João Reixa, Anabela Faustino, Marques D’Arede, Alheli Guerrero e Ivo Alexandre
Desenho de luz
Manuel Abrantes
Cenografia
Ivo Alexandre
Figurinos
Alheli Guerrero
Gestão
Tiago da Câmara Pereira
Co-Produção
DOIS
Cine-Teatro Avenida
Casa das Artes de Famalicão
Teatro Municipal de Vila Real
Chão D’Oliva
Estrutura subsidiada pelo Ministério da Cultura - Direção Geral das Artes
Estreia Online a 20 de Março de 2021 — Festival Periferias (Sintra)
Estreia a 5 de Maio de 2021 — Cine-Teatro Avenida (Castelo Branco)